Quanto custa um rebranding em Portugal
O desenho é a parte pequena da fatura. O que pesa é o inventário de tudo aquilo onde a marca aparece, e quase nenhuma empresa o conta antes de pedir orçamento.

Quem pede um rebranding costuma estar a pensar no símbolo novo. Quem já passou por um sabe que o símbolo foi a semana mais fácil.
Um rebranding é uma operação de substituição: a marca antiga está em sítios que ninguém listou, e cada um deles tem de ser refeito, reimpresso, reencomendado ou reprogramado. É aí que está a fatura, e é por isso que dois rebrandings com o mesmo desenho podem custar quatro mil ou quarenta mil euros.
As faixas que se praticam
| Situação | Faixa típica |
|---|---|
| Empresa pequena, poucos pontos de contacto, marca recente | 2.500 a 6.000 EUR |
| Empresa estabelecida, com site, loja, frota e material impresso | 6.000 a 15.000 EUR |
| Grupo com várias marcas, vários pontos de venda ou distribuição | 15.000 a 45.000 EUR |
| Rebranding com naming, registo e investigação de mercado | 30.000 EUR para cima |
A faixa do meio é onde cai a maioria das empresas portuguesas com dez a cinquenta pessoas. E a diferença entre a primeira e a terceira linha quase nunca é a qualidade do desenho: é o número de coisas que têm de mudar.
A conta que ninguém faz antes de pedir orçamento
Faça este inventário antes de falar com alguém. Leva vinte minutos e muda a conversa toda:
- Site e páginas de campanha
- Perfis de redes sociais, com as imagens de capa e de perfil
- Assinaturas de email de toda a gente
- Faturas, orçamentos, notas de encomenda, guias de transporte
- Apresentação comercial e propostas
- Montra, letreiro, sinalética interior
- Viaturas
- Fardas e vestuário de trabalho
- Embalagem, etiquetas, rótulos, caixas
- Catálogo e fichas de produto
- Material de feira: roll-ups, stand, brindes
- Anúncios em curso, impressos e digitais
- Plataformas de terceiros: marketplaces, portais do setor, diretórios
Conte os que existem mesmo. Esse número é o que decide a faixa, e é a primeira coisa que um orçamento sério lhe vai perguntar.
O que entra no orçamento de quem faz o trabalho
Um rebranding bem conduzido tem quatro fases, e convém que a proposta as separe:
1. Diagnóstico e inventário. O que a marca já é no mercado, o que vale a pena guardar, e a lista completa dos pontos de contacto. É a fase mais curta e a que evita as surpresas caras.
2. Território e decisão. Antes do símbolo, mostra-se o território visual: fotografia, cor, tipografia, textura, uma ou outra aplicação. É onde se discorda cedo, com uma prancha em cima da mesa, em vez de discordar tarde com um logótipo já desenhado.
3. Sistema. Logótipo e versões, paleta, tipografia, grelha, direção de imagem, modelos e manual. É o que fica a trabalhar sozinho depois.
4. Implementação. A aplicação peça a peça, por ordem de visibilidade e de prazo, com um calendário. Esta fase é a mais longa e costuma ser a que fica de fora dos orçamentos baratos.

Os custos que não são do designer
Para não haver surpresas na tesouraria, contar também com:
- Reimpressão de tudo o que é papel, etiqueta e embalagem.
- Sinalética e viaturas, que costumam ser a linha mais cara e a mais esquecida.
- Desenvolvimento web, se o site tiver de ser refeito e não apenas revestido.
- Registo da marca no INPI ou no EUIPO, se houver nome novo.
- Comunicação da mudança aos clientes, que é trabalho de conteúdo e não de design.
Uma proposta honesta diz claramente o que é trabalho dela e o que é custo de terceiros. Quem junta tudo num número redondo está a esconder alguma coisa, ou não fez as contas.
Quando o rebranding não se justifica
Convém dizê-lo, mesmo do lado de quem vive disto:
- Quando o problema é falta de regras, e não o símbolo. Arrumar o que existe custa uma fração e resolve a maior parte dos sintomas.
- Quando a empresa está a meio de uma mudança grande que ainda não assentou. Rebranding antes de haver decisão de negócio é dinheiro gasto duas vezes.
- Quando o reconhecimento é o principal ativo. Nesse caso evolui-se, não se refaz.
Perguntas frequentes
Quanto tempo demora?
Uma empresa pequena leva seis a dez semanas. Um grupo com muitos pontos de contacto leva três a seis meses, e a maior parte desse tempo é implementação. O desenho raramente é o que atrasa.
Podemos fazer por fases, para diluir o custo?
Pode e deve. A ordem que costuma resultar melhor: digital primeiro, porque muda de um dia para o outro e chega a mais gente; depois o que se imprime todos os meses; por fim o que é caro e dura anos, como sinalética e frota, aproveitando a substituição natural.
Perdemos os clientes que nos reconhecem?
Só se apagar aquilo que eles reconhecem. Por isso é que a primeira fase identifica o que já é património da marca. Mudar tudo ao mesmo tempo raramente é boa ideia.
O nome também muda?
Só se houver razão: conflito de registo, entrada noutro mercado, fusão, ou um nome que descreve uma atividade que a empresa já não tem. Trocar de nome sem razão apaga anos de reconhecimento e obriga a recomeçar.
Como se sabe se resultou?
Definindo antes o que se quer mudar: notoriedade, qualidade do cliente que chega, margem, tempo de decisão nas propostas. Um rebranding sem indicador combinado à partida é impossível de avaliar depois.
Para terminar
O preço de um rebranding não se lê no desenho, lê-se no inventário. Faça a lista dos pontos de contacto antes de pedir a primeira proposta: é isso que vai separar as que são sérias das que são baratas.
E se, depois de a fazer, perceber que o que lhe falta são regras e não um símbolo novo, ganhou o melhor resultado possível deste exercício.
Trinta minutos chegam para perceber em que caso está, e para sair com o alcance escrito.


